Odeio a sociedade. E esta não devia ser, de todo, a melhor forma de começar. Mas honestamente...eu prefiro começar com as verdades, muito resumidas, do que embrulhar tudo como se as palavras não fossem capaz de me permitir (a mim e a todos), uma melhor facilidade de compreensão.
Odeio a sociedade porque ela nos retém. Odeio a sociedade porque ela nos coloca um rótulo mal nascemos, mal damos o primeiro suspiro, o primeiro choro. Odeio a sociedade porque...na ideia dela...as pessoas com mais peso, com cor de pele diferente daquela a que estamos habituados a ver, problemas de saúde e entre outros, não podem viver consoante pessoas normais. Odeio a sociedade porque cada vez sinto mais dificuldade em olhar-me ao espelho sem sentir...desgosto. Desgosto por cada parte do meu corpo que não está consoante aquela "listinha" de afazeres que cada pessoa deve ter para fazer parte daquele grupo de pessoas a que chamam "normais". Odeio a sociedade porque me faz temer uma mera loja de roupa...é patético, mas é verdade. Estou de férias neste momento, e o que faço, em grande parte, na internet, é consultar sites de grandes lojas de roupa, como a Bershka ou a Pull&Bear...adoro quase todo o que vejo! Ou melhor, amo (venero, admiro e desejo) quase tudo o que vejo. A minha maior retenção em recorrer a uma dessas lojas e comprar tudo o que desejo e que sei que me fará sentir melhor comigo mesma, é provavelmente o preço...mas fora desse problema, está o problema do meu peso. Tenho 17 anos, 1,69m e peso por volta de 69/70kg...odeio o meu corpo desde sensivelmente os meus 12 anos. E não odeio o meu corpo porque quero ou faço disso uma "paranóia" ou algo do género, como muitos lhe chamam. Odeio o meu corpo porque a minha mente me dá razões para que o odeie. A minha mente e todas as lojas de roupa que eu mais amo, e que mais frequento, por sinal. Para mim, não há sentimento mais frustrante do que ir a uma loja com o intuito de comprar roupa, e, por ocasião, ter o coração cheio de felicidade por tal, chegar à loja, ver algo que me agrade, experimentar e...não me ficar como quero, como idealizei. Embora muitos digam que não (e, a grande maioria pense que sim...) eu sou gordinha. Sinto-me gordinha...e odeio falar disto como se fosse o fim do mundo ou uma doença sem cura! A verdade é que não é, eu sei, e que nem sempre faço algo para mudar este sentimento que me transtorna constantemente...estamos no verão e eu ainda não fui capaz de ir à piscina uma única vez. Apesar de não ter sido por falta de convites...também ainda não fui à praia. Daqui a sensivelmente duas semanas, eu, os meus pais, o meu irmão e o meu namorado vamos de férias. Vamos de férias para uma casa de praia. Durante duas semanas. Vou ter que dar a conhecer às pessoas o corpo que escondo durante um ano inteiro, e do qual me envergonho a 100%...essa é provavelmente uma das "tarefas" que mais me perturba e transtorna o meu bem-estar. Tanto o transtorna como eu sou capaz de admitir que, desde o primeiro dia de férias que tive, ainda não almocei uma única vez. Aliás, o meu dia resume-se numa tigela de cereais ou um pão com queijo...e no final do dia, recorro à passadeira de correr que tenho em casa, e todos os dias, todos os dias, faço questão de perder entre 200 a 300 calorias. Fiz, inclusive, uma tabela em Excel com todas as calorias que já perdi até agora. O ano passado resultou, e realmente se notou alguma diferença no meu corpo, mas este ano...para minha tristeza...nada tem funcionado. Embora eu faça exercício, coma fruta, salada etc., não consigo ver diferenças no meu corpo. Diferenças essas que eu uso como provas de um melhor bem-estar, como...uma percentagem significativa na minha coluna de auto-estima...eu não estou doente. Não me sinto doente e muito menos obcecada. Sinto-me obrigada a mudar por esta sociedade que me marcou como sendo gorda e anormal, diante do que são todas as outras pessoas magrinhas e bonitas. Eu tenho um namorado que é a coisa mais querida do mundo...amo-o com tudo aquilo que tenho e sou. Todos, todos os dias, ele me diz que sou linda e que sou como sou, não tendo assim o dever de mudar por ninguém. São as palavras que mais me confortam e mais preenchem o meu coraçãozinho com um calor doce e mais acolhedor do que uma cama quentinha em pleno inverno...mas são sentimentos momentâneos. Acabam por se desvanecer no momento em que eu abro o guarda vestidos para arranjar uma roupa minimamente decente para sair...adorava ver mudanças. Adorava sentir mudanças. Quer no meu corpo, quer na minha auto-estima, quer na sociedade. Rezo e sonho todos os dias para acordar um dia da minha vida a sentir-me bonita e bem comigo mesma, com o que sou. Todos.
Mas sou forte. Sou forte e não são palavras ofensivas e totalmente fora do contexto que me levam a baixo. Nunca.
Mas sou forte. Sou forte e não são palavras ofensivas e totalmente fora do contexto que me levam a baixo. Nunca.
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